As alterações da NR-1 começam a valer nesta semana. Muitas empresas já realizaram as adequações necessárias. Porém, outras tantas ainda estão em fase de implementação. Mas a pergunta que fica é: depois disso, como será? Implementa e “vida que segue”? Certamente não. A partir de agora, as empresas terão que promover a mudança de cultura. Isso significa repensar não apenas o ambiente de trabalho, mas também a forma como o trabalhador é inserido e tratado dentro da organização, especialmente nas relações interpessoais, na liderança e nas condições psicossociais do trabalho. Desde sempre a preocupação do empregador esteve concentrada no absenteísmo e no turnover. Porém, um ponto que ganha cada vez mais relevância é o presenteísmo, quando o trabalhador está fisicamente presente, mas emocionalmente adoecido, esgotado ou psicologicamente comprometido. Nesse contexto, o Compliance assume papel estratégico, na medida em que ele deixa de ser apenas uma ferramenta de fiscalização ou reação a denúncias e processos judiciais, passando a atuar de forma preventiva e estruturada. Neste sentido, o compliance visa criar parâmetros claros de conduta, fortalecer a comunicação interna, orientar lideranças e promover responsabilidade organizacional. Sua importância não está apenas na criação de políticas internas, mas na capacidade de gerar previsibilidade de comportamentos, alinhando gestores, empregados e terceiros aos padrões exigidos pela legislação e pela própria cultura da empresa. Diante das exigências relacionadas aos riscos psicossociais e do aumento da fiscalização sobre saúde mental no trabalho, torna-se evidente que empresas sem uma cultura organizacional estarão mais expostas ao adoecimento ocupacional, conflitos internos, aumento do turnover, absenteísmo e passivos trabalhistas. A reflexão que fica é: não basta implementar. É preciso manter, fiscalizar e fortalecer o que foi implementado.